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Steer Recursos Humanos

ed.19 | set 08


Olá Leitor

Aqui na Steer estamos trabalhando próximos a nossa capacidade máxima! Isso é excelente e demonstra o momento positivo do país mesmo num momento de adversidade mundial. O Brasil começa a colher os frutos das escolhas, muitas delas difíceis, que nossos governantes tomaram e vem tomando. Somados a isso, tenho criado muitos textos na área de recursos humanos que estão sendo publicados nos veículos de comunicação e finalizando um capítulo de um livro técnico na área de suprimentos que junto com colegas, vamos publicar ainda este ano. Nada disso me exime da responsabilidade de periodicamente contar a você o que está acontecendo na área de recursos humanos. A seguir, dois textos para sua reflexão.

Um forte abraço!


Como nossos pais (que difícil)

Tenho um programa de aconselhamento profissional (Horizontes) cujo um dos módulos é dirigido ao público jovem. É gratificante trocar idéias com alguém que está no inicio de sua vida profissional. Se de um lado sobra energia do outro sobram dúvidas. Tudo a descobrir!

Há um aspecto quevem chamando minha atenção! Os jovens, de classe média para cima, se deparam com um mercado de trabalho que não distingue classe social. Quem acaba de se formar ou inicia um estágio, ingressa no mercado recebendo um salário compatível com sua experiência, baixo.

Percebem então que levarão muito tempo até que conquistem uma remuneração que lhes proporcionará o padrão social que já têm. Isso lhes causa vários sintomas: Medo, frustração, apatia, eansiedade.

Decepcionam-se ao imaginar que passado alguns anos, já mesmo no topo da carreira que escolheram, poderão ganhar bem menos que seus pais. O que eles não sabem é que seus pais, na juventude, provavelmente ganhavam muito menos do que eles pensam e trabalhavam muito mais. Não quero generalizar, mas os dados que temos assim o demonstram.

À medida que a prosperidade econômica avança, e com ela nosso padrão de vida, fica evidente que terão que trabalhar bem mais do que imaginam para chegar aonde seus pais chegaram. Há casos em que jovens clientes, cujos pais ocupam posições de destaque, sentem-se pressionados a atingir uma posição melhor e com salário mais alto, numa competição sem propósito. Infelizmente, a possibilidade deatingir o nível hierárquico ou salarial que seus pais hoje têm, é pequena. Muitos deles, vejam só, condenam o ritmo de vida que os pais levam, e esperam não ter que repetí-lo para chegar lá. Mas desejam sustentar o padrão econômico.

Na sociedade norte-americana, quando os adolescentes iniciam seus cursos superiores, sabem que é chegada a hora de sair da casa dos pais, iniciarem uma vida compatível com seus ingressos. É comum arrumarem trabalhos complementares enquanto não terminam suas carreiras, para ir juntando um dinheirinho extra e melhorar o padrão de vida. Claro que o lado cultural influi e a essa não é a prática em nosso pais. Mas precisamos refletir um pouco! Ou aliviamos nossas crenças capitalistas e ensinamos aos nossos filhos que dinheiro e posição social não são tudo, e isso esta cada vez mais difícil no mundo em que vivemos, ou teremos que adotar práticas que os tornem aptos a sobreviverem sem maiores traumas no entorno que escolhemos.

Claro que podemos ajudá-los por mais tempo, mas o risco é torná-los dependentes para sempre. Não tenho a solução do dilema. Busco alertá-los para a realidade. Pai e mãe não duram para sempre, e merecem diminuir o ritmo, desfrutar um pouco mais suas conquistas quando os filhos terminarem sua educação e estiverem prontos para bancarem suas vidas. Com isso em mente, devem fazer escolhas responsáveis, dedicar-se na escola, trabalhar o quanto antes para adquirir experiência e aumentar seu grau de resistência às adversidades do caminho.

Digo-lhes que é perda de tempo procurar a lâmpada mágica se não souber o que pedir ao gênio quando ele aparecer. Conhecido o desejo, passamos auma analise de competências, que deverão ser usadas ou adquiridas, de preferência, por sua conta e risco.


O círculo da sobrevivência e a Espiral da Prosperidade

Semelhantes na operação, quando vistos em um instante no tempo, levam a lugares distintos. Vamos aos conceitos.

Pensem numa elipse horizontal. Pronto, está aí delineado o círculo da sobrevivência. Cada passo que trilhamos nele é absolutamente necessário. Precisamos comer, dormir, trabalhar, pagar nossas contas, cuidar dos filhos, de nossos cônjuges, da saúde, etc. Cada dia é um novo ciclo, onde somos absorvidos por tarefas, e como quase robôs, obedecemos a seqüência para que possamos continuar existindo. Usei o ser humano, mas podem-se incluir empresas, escolas, cidades e países no modelo. Com o passar do tempo, por maior que seja a elipse, regressamos ao ponto inicial. E por sobrevivência, reiniciamos o caminho.

Guardem o conceito e voltem a exercitar a imaginação. Imaginem agora um triângulo com uma de suas arestas tocando o solo (ou de ponta cabeça, ou um funil, para facilitar a visualização). Imaginem agora um fio infinito sendo enrolado em volta desse triângulo, em sentido ascendente. Retirem agora o triângulo de dentro. O que resta, suspenso no espaço, é o modelo da Espiral da Prosperidade. Vamos em frente...

Conseguiram visualizar a Espiral da Prosperidade? Perceba que, como no círculo da sobrevivência, nossas necessidades básicas não desapareceram. Mas a cada dia nossa percepção da realidade se amplia, sobe uma oitava na escala da Espiral. Os altos e baixos seguem aí.

Mas os fundamentos da jornada já não são os mesmos. Além das conquistas, nos movemos por propósito. E seguimos ampliando o sentido da existência, a cada novo passo que damos. Nosso objetivo é alcançar nossos desejos. Mas de maneira virtuosa, ascendente, definitiva! O combustível que nos impulsiona na Espiral da Prosperidade, é a CORAGEM. Coragem de sair da zona de conforto, de cima do muro, e partir para a ação. E ação construtiva. Nada contra opositores pessimistas, afinal é nas críticas que nos reabastecemos da vontade necessária para seguir, de fazer melhor, mas falo aqui de engajamento, de verdade e não complacência ou negação. Para que o tesão nunca desapareça, seja ele carnal ou espiritual.

Se fosse possível escolher, claro que optaríamos em viver na Espiral da Prosperidade. Mas por ser longo o caminho e cheio de obstáculos, nos fica difícil, distinguir se estamos ascendendo ou dando voltas. E nesse momento nosso melhor instrumento de medida é o nosso humor. Mal humor é uma praga que normalmente indica vida no círculo de sobrevivência.

Li um artigo escrito para a revista Veja dessa semana, da Lya Luft, que comenta o fato de estar celebrando 70 anos. Ela faz uma citação muito feliz. Diz: “A alma tem suas dores, e para se curar necessita de projetos e afetos. Precisa acreditar em alguma coisa”. A Espiral da Prosperidade é modelo dos que acreditam!

Nessa semana, divulgou-se que 64% dos brasileiros consideram o governo do presidente Lula, ótimo ou bom. Não vou entrar na discussão dos porquês nem se é ou não digno do número. Mas é com muito otimismo que celebro a opção da maioria dos brasileiros pela Espiral da Prosperidade. Num intervalo de tempo logarítmico, encontraremos as soluções para os problemas que hoje se apresentam, e a coragem para os novos que surgirão.

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Ivan Witt

Ivan Carlos Witt é Sócio-Diretor da Steer Recursos Humanos. Ocupou o cargo de Diretor de Compras da América do Sul da Ford Motor Company, empresa onde trabalhou por 20 anos. Com larga experiência internacional, atuou 10 anos no exterior (México, Estados Unidos, Espanha, Inglaterra e Alemanha) à frente de cargos de liderança nas áreas de Recursos Humanos, Manufatura, Logística e Compras. Engenheiro eletricista, trabalha no aperfeiçoamento de modelos de negociação entre empresas, e na transparência da comunicação entre funcionários, clientes e fornecedores. Headhunter, conduz seminários de Liderança Corporativa e Equipes de Alto Desempenho e tem um programa de aconselhamento para líderes, Horizontes. iwitt@steer.com.br


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