Olá Leitor
Aqui na Steer estamos trabalhando próximos a nossa capacidade
máxima! Isso é excelente e demonstra o momento
positivo do país mesmo num momento de adversidade mundial. O
Brasil começa a colher os frutos das escolhas, muitas delas
difíceis, que nossos governantes tomaram e vem tomando. Somados
a isso, tenho criado muitos textos na área de recursos humanos
que estão sendo publicados nos veículos de comunicação
e finalizando um capítulo de um livro técnico na área
de suprimentos que junto com colegas, vamos publicar ainda este
ano. Nada disso me exime da responsabilidade de periodicamente
contar a você o que está acontecendo na área
de recursos humanos. A seguir, dois textos para sua reflexão.
Um forte abraço!

Como nossos pais (que difícil)

Tenho um programa de aconselhamento profissional
(Horizontes) cujo um dos módulos é dirigido ao público
jovem. É gratificante trocar idéias com alguém
que está no inicio de sua vida profissional. Se de
um lado sobra energia do outro sobram dúvidas. Tudo
a descobrir!
Há um aspecto quevem chamando minha atenção! Os
jovens, de classe média para cima, se deparam com um mercado de trabalho
que não distingue classe social. Quem acaba de se formar ou inicia
um estágio, ingressa no mercado recebendo um salário compatível
com sua experiência, baixo.
Percebem então que levarão muito tempo até que conquistem
uma remuneração que lhes proporcionará o padrão social
que já têm. Isso lhes causa vários sintomas: Medo,
frustração, apatia, eansiedade.
Decepcionam-se ao imaginar que passado alguns anos, já mesmo no topo da
carreira que escolheram, poderão ganhar bem menos que seus pais. O
que eles não sabem é que seus pais, na juventude, provavelmente
ganhavam muito menos do que eles pensam e trabalhavam muito mais. Não
quero generalizar, mas os dados que temos assim o demonstram.
À medida que a prosperidade econômica avança, e com ela nosso
padrão de vida, fica evidente que terão que trabalhar bem mais
do que imaginam para chegar aonde seus pais chegaram. Há casos em
que jovens clientes, cujos pais ocupam posições de destaque, sentem-se
pressionados a atingir uma posição melhor e com salário
mais alto, numa competição sem propósito. Infelizmente,
a possibilidade deatingir o nível hierárquico ou salarial
que seus pais hoje têm, é pequena. Muitos deles, vejam
só, condenam o ritmo de vida que os pais levam, e esperam não ter
que repetí-lo para chegar lá. Mas desejam sustentar o padrão
econômico.
Na sociedade norte-americana, quando os adolescentes iniciam seus cursos superiores,
sabem que é chegada a hora de sair da casa dos pais, iniciarem uma vida
compatível com seus ingressos. É comum arrumarem trabalhos
complementares enquanto não terminam suas carreiras, para ir juntando
um dinheirinho extra e melhorar o padrão de vida. Claro que o lado
cultural influi e a essa não é a prática em nosso pais.
Mas precisamos refletir um pouco! Ou aliviamos nossas crenças capitalistas
e ensinamos aos nossos filhos que dinheiro e posição social não
são tudo, e isso esta cada vez mais difícil no mundo em que vivemos,
ou teremos que adotar práticas que os tornem aptos a sobreviverem sem
maiores traumas no entorno que escolhemos.
Claro que podemos ajudá-los por mais tempo, mas o risco é torná-los
dependentes para sempre. Não tenho a solução do dilema. Busco
alertá-los para a realidade. Pai e mãe não duram para
sempre, e merecem diminuir o ritmo, desfrutar um pouco mais suas conquistas quando
os filhos terminarem sua educação e estiverem prontos para bancarem
suas vidas. Com isso em mente, devem fazer escolhas responsáveis,
dedicar-se na escola, trabalhar o quanto antes para adquirir experiência
e aumentar seu grau de resistência às adversidades do caminho.
Digo-lhes que é perda de tempo procurar a lâmpada mágica
se não souber o que pedir ao gênio quando ele aparecer. Conhecido
o desejo, passamos auma analise de competências, que deverão
ser usadas ou adquiridas, de preferência, por sua conta e risco.

O círculo da sobrevivência e a Espiral da Prosperidade

Semelhantes na operação, quando vistos em um instante
no tempo, levam a lugares distintos. Vamos aos conceitos.
Pensem numa elipse horizontal. Pronto, está aí delineado
o círculo da sobrevivência. Cada passo que
trilhamos nele é absolutamente necessário. Precisamos
comer, dormir, trabalhar, pagar nossas contas, cuidar dos filhos,
de nossos cônjuges, da saúde, etc. Cada dia é um
novo ciclo, onde somos absorvidos por tarefas, e como quase robôs,
obedecemos a seqüência para que possamos continuar existindo. Usei
o ser humano, mas podem-se incluir empresas, escolas, cidades e
países no modelo. Com o passar do tempo, por maior
que seja a elipse, regressamos ao ponto inicial. E por sobrevivência,
reiniciamos o caminho.
Guardem o conceito e voltem a exercitar a
imaginação. Imaginem
agora um triângulo com uma de suas arestas tocando o solo
(ou de ponta cabeça, ou um funil, para facilitar a visualização). Imaginem
agora um fio infinito sendo enrolado em volta desse triângulo,
em sentido ascendente. Retirem agora o triângulo de
dentro. O que resta, suspenso no espaço, é o
modelo da Espiral da Prosperidade. Vamos em frente...
Conseguiram visualizar a Espiral da Prosperidade? Perceba
que, como no círculo da sobrevivência, nossas necessidades
básicas não desapareceram. Mas a cada dia nossa
percepção da realidade se amplia, sobe uma oitava
na escala da Espiral. Os altos e baixos seguem aí.
Mas os fundamentos da jornada já não são os
mesmos. Além das conquistas, nos movemos por propósito. E
seguimos ampliando o sentido da existência, a cada novo passo
que damos. Nosso objetivo é alcançar nossos
desejos. Mas de maneira virtuosa, ascendente, definitiva! O
combustível que nos impulsiona na Espiral da Prosperidade, é a
CORAGEM. Coragem de sair da zona de conforto, de cima do
muro, e partir para a ação. E ação
construtiva. Nada contra opositores pessimistas, afinal é nas
críticas que nos reabastecemos da vontade necessária
para seguir, de fazer melhor, mas falo aqui de engajamento, de
verdade e não complacência ou negação. Para
que o tesão nunca desapareça, seja ele carnal ou
espiritual.
Se fosse possível escolher, claro que optaríamos
em viver na Espiral da Prosperidade. Mas por ser longo o
caminho e cheio de obstáculos, nos fica difícil,
distinguir se estamos ascendendo ou dando voltas. E nesse
momento nosso melhor instrumento de medida é o nosso humor. Mal
humor é uma praga que normalmente indica vida no círculo
de sobrevivência.
Li um artigo escrito para a revista Veja dessa semana,
da Lya Luft, que comenta o fato de estar celebrando 70 anos. Ela
faz uma citação muito feliz. Diz: “A alma tem
suas dores, e para se curar necessita de projetos e afetos. Precisa
acreditar em alguma coisa”. A Espiral da Prosperidade é modelo
dos que acreditam!
Nessa semana, divulgou-se que 64% dos brasileiros
consideram o governo do presidente Lula, ótimo ou bom. Não vou entrar
na discussão dos porquês nem se é ou não
digno do número. Mas é com muito otimismo que
celebro a opção da maioria dos brasileiros pela Espiral
da Prosperidade. Num intervalo de tempo logarítmico,
encontraremos as soluções para os problemas que hoje
se apresentam, e a coragem para os novos que surgirão.
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Ivan Carlos
Witt é Sócio-Diretor da Steer Recursos Humanos.
Ocupou o cargo de Diretor de Compras da América
do Sul da Ford Motor Company, empresa onde trabalhou por
20 anos. Com larga experiência internacional, atuou
10 anos no exterior (México, Estados Unidos, Espanha,
Inglaterra e Alemanha) à frente de cargos de liderança
nas áreas de Recursos Humanos, Manufatura, Logística
e Compras. Engenheiro eletricista, trabalha no aperfeiçoamento
de modelos de negociação entre empresas,
e na transparência da comunicação entre
funcionários, clientes e fornecedores. Headhunter,
conduz seminários de Liderança Corporativa
e Equipes de Alto Desempenho e tem um programa de aconselhamento
para líderes, Horizontes. iwitt@steer.com.br |
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