Olá Leitor

A Moeda

CARA
Ele era um executivo jovem. Orgulhava-se
de seus feitos, lutara arduamente para chegar onde estava. Seu
passado foi de lutas. Escolas públicas, sacrifício
em casa para que ele pudesse estudar sem trabalhar, e assim que
completou 18 anos, assumiu a rédea de sua vida, arrumou
um emprego, transferiu seu trabalho para a noite e ainda encontrou
tempo para cuidar de sua vida pessoal. Casou-se antes de
formar-se, a esposa trabalhava e ajudava a guardar um dinheirinho
para comprar o primeiro carrinho, vivendo em casa de aluguel. Deu
um jeito e ainda foi apreender inglês, pois trabalhava em
multinacional. Aí vieram
os filhos que adiaram o sonho da casa própria em alguns
outros anos. E agora, 20 anos depois, muitos cargos e desafios
vencidos, viagens incontáveis em datas importantes como
o aniversário de casamento e aniversário dos filhos,
ele chegou onde jamais sonhara. Foi contratado por uma consultoria
para o cargo de Diretor Operacional de uma multinacional em crescimento!
COROA
Todos comentavam! De onde surgira aquele jovem convencido? Será possível
que a empresa não reconheça seus valores internos? De
fora? E jovem assim? Para essa posição? QI? Filho
de alguém importante na corporação? Que
injustiça! Tanta gente que havia ralado anos a fio
esperando por essa posição, e do nada, sem nenhum
crédito ou merecimento, um bacaninha, engomado, se achando
a última bolacha do pacote, provavelmente um “mauricinho
filho-de- papai”, assume o cargo de Diretor Operacional! Olha
só, chegando no carrão novo, e parando na vaga com
seu nome todo sorridente. Prepotente metido a besta!
O FATO
O mesmo personagem visto por ângulos distintos. O dele
e dos que terão que trabalhar com ele. Exagero? Um
pouquinho talvez, mas a situação que descrevo é mais
comum do que se imagina. Pode-se prever que por um bom tempo,
a vida desse pessoal, será politicamente difícil
e estressante.
A empresa que contratou, sem dúvida analisou as credenciais
do candidato detalhadamente e acredita que ele é o homem
certo para atingir as metas, construir o clima, crescer! Mas
será que compartiu o processo de decisão com os que
irão trabalhar com ele, seus superiores, pares e subordinados? Ou
foi uma conversa entre o Presidente e o Diretor de RH? Não,
nem todos podem saber tudo (formalmente, pois a rádio peão
se encarrega de trazer à tona todas as versões existentes
da “verdade”)!
Por isso, se você estiver no papel do contratado, saiba que
antes de mostrar serviço, você tem que mostrar sensibilidade
e decifrar o ambiente corporativo. Tem que saber que para
cada sorriso e palavra de boas vindas, pode existir um sentimento
de desconfiança, inveja, desprezo, rancor, dor, intolerância. As
chances de você, o Presidente e o Diretor de RH serem os únicos
felizes com sua contratação são muito altas. A
primeira batalha a ser vencida no novo posto é integrar-se
a ele e conhecer sua equipe. Contar os feitos de sua vida
passada e o que fazia na sua empresa anterior soará como
soberba. Os mais corajosos dirão, aqui não é sua
outra empresa! Saudades do passado e arrependimento pela
decisão, também não ajudarão! Qual
a receita? Humildade e disposição para ouvir!! Aos
seus superiores, que lhe dirão o que esperam da sua gestão. Aos
seus pares, que você deverá, preferencialmente, visitar
no escritório deles! Diga que esta muito feliz em trabalhar
num grupo de tantos talentos e que espera somar, apesar do seu
desconhecimento temporário da empresa e suas práticas. Que
conta com seu suporte! E a seus subordinados! Os
diretos, de maneira semelhante a que dispensou a seus pares. Os
demais de maneira informal. Cuidado para não assustá-los,
aparecendo do nada. Lembre-se que muitos acreditam que Hércules
não sai do Monte Olimpo! Um bom dia sincero, o interesse
autêntico, já é um excelente início. Sua
postura deve ser de a mesma com todos. Lembre-se do seu primeiro
emprego, o sorriso nos lábios, a vontade de aprender e servir!
Ao aproximar-se da realidade deles, poderá gradualmente,
e sem receio de errar no julgamento da situação,
mostrar as competências que lhe fizeram merecedor do cargo.

Brasil, país do agora

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Muitos da minha idade cansaram-se de ouvir que o
Brasil é o pais do futuro. Por definição,
nosso hoje é sempre pior do que o amanhã. Acostumamo-nos
a esperar! Perceba, no entanto que os jovens já não
usam essa frase. Para eles o Brasil é o agora. E
nunca o agora foi tão agora como AGORA! Não,
não vamos brincar de Poliana, mas o ritmo crescente da economia
está mudando a cara do nosso país. Com a inflação
sob controle e as taxas de juros caindo, os bancos resolveram arregaçar
as mangas para manter seus rendimentos. E o crédito
na economia pulou de 240 bilhões de reais em dezembro de
2002 para 600 bilhões em setembro de 2007. Uma quantidade
enorme de brasileiros está tendo acesso, pela primeira vez
em suas vidas a um padrão diferenciado. E quando falo
enorme, é enorme mesmo. Na edição de
31 de outubro a revista Veja publicou que desde 2003, 6 milhões
de pessoas migraram das classes mais baixas e atingiram a classe
C. Neste mesmo período, as pessoas de baixa renda
que possuíam 26 milhões de cartões de crédito,
agora possuem 61 milhões. A consultoria McKinsey diz
que o mercado de consumo de massa, irá crescer dos 48% de
2004 para 60% em 2008 do total de vendas do comércio brasileiro. Como
o crédito público não é mais a principal
fonte de renda do país, as linhas de crédito livre
avançam num ambiente competitivo puxando as taxas para baixo,
incentivando mais o consumo e injetando dinheiro na economia que
expande o mercado, gerando empregos e conseqüentemente mais
consumidores solventes. Esse ciclo virtuoso começa
a ser percebido por empresas estrangeiras, que querem participar
desse momento. Seus mercados de origem não oferecem
este potencial expansionista e o capital não tem cidadania,
tem sede de crescimento. Espera-se para 2008 que o país
atinja grau de investimento, o que possibilita que os maiores
investidores do planeta, os fundos de pensão americanos
e europeus possam entrar no mercado brasileiro. Uma quantidade
absurda de caixa será disponibilizada ao país. Bem-vinda
seja! Essa expansão é o que precisamos para mobilizar
toda a sociedade, de todas as classes para o desenho do Brasil
do Agora. Nosso ciclo de mudanças precisa mover-se
exponencialmente. A carga tributária precisa ser
justa, as leis trabalhistas precisam ser revistas, nossos políticos
precisam ser responsabilizados por seus atos e os brasileiros cada
vez mais atentos e exigentes, cobrarão mais e melhor. Logo
notarão o reflexo na educação, saúde
e segurança. Os que me lêem já dispõem
de uma posição de vanguarda, são formadores
de opinião, possuem os recursos para catalisarem essas mudanças. Recusem-se
a sucumbir aos cenários pessimistas, ao contrário,
os tomem como motivação para melhorar o país
onde eu e você, nossos filhos e nossos netos viveremos
felizes e em paz. AGORA!

Reconhecimento

Na semana que passou o São Paulo Futebol
Clube sagrou-se Pentacampeão do Campeonato Brasileiro de
Futebol! Os que me conhecem sabem que sou Corinthiano
ferrenho! Mas depois dos textos anteriores, engulo em seco,
e termino esse newsletter falando do mais importante campeonato,
do esporte mais popular do Brasil. No futebol, primeiro se torce
pelo seu time e depois para que todos os demais entrem pelo cano. Mas
o São Paulo dá exemplo de competência. Sua
renda já é maior que a da CBF! E sua torcida
nos tortura com propriedade. Todos nós, não
campeões, deveríamos com humildade reconhecer a superioridade
temporária (sim, porque se apreendermos a receita, podemos
ampliá-la à magnitude do grandioso Corinthians) e
exigir de nossos dirigentes que apreendam como se faz. Parabéns
ao tricolor pelo seu título que chegou com 4 rodadas de
antecedência! Enquanto vocês celebram,
ainda desfrutamos da emoção do campeonato. Ser
pentacampeão é bom, mas ser Corinthiano é muito
melhor!
Um forte
abraço,
Ivan Witt
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Ivan Carlos Witt é Sócio-Diretor
da Steer Recursos Humanos. Ocupou o cargo de Diretor de Compras
da América do Sul da Ford Motor Company, empresa onde
trabalhou por 20 anos. Com larga experiência internacional,
atuou 10 anos no exterior (México, Estados Unidos, Espanha,
Inglaterra e Alemanha) à frente de cargos de liderança
nas áreas de Recursos Humanos, Manufatura, Logística
e Compras. Engenheiro eletricista, trabalha no aperfeiçoamento
de modelos de negociação entre empresas, e na
transparência da comunicação entre funcionários,
clientes e fornecedores. Headhunter, conduz seminários
de Liderança Corporativa e tem um programa de aconselhamento
para líderes, Horizontes. iwitt@steer.com.br |
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