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Steer Recursos Humanos

ed.15 | nov 07


Olá Leitor


A Moeda

CARA

Ele era um executivo jovem. Orgulhava-se de seus feitos, lutara arduamente para chegar onde estava. Seu passado foi de lutas. Escolas públicas, sacrifício em casa para que ele pudesse estudar sem trabalhar, e assim que completou 18 anos, assumiu a rédea de sua vida, arrumou um emprego, transferiu seu trabalho para a noite e ainda encontrou tempo para cuidar de sua vida pessoal. Casou-se antes de formar-se, a esposa trabalhava e ajudava a guardar um dinheirinho para comprar o primeiro carrinho, vivendo em casa de aluguel. Deu um jeito e ainda foi apreender inglês, pois trabalhava em multinacional. Aí vieram os filhos que adiaram o sonho da casa própria em alguns outros anos. E agora, 20 anos depois, muitos cargos e desafios vencidos, viagens incontáveis em datas importantes como o aniversário de casamento e aniversário dos filhos, ele chegou onde jamais sonhara. Foi contratado por uma consultoria para o cargo de Diretor Operacional de uma multinacional em crescimento!

COROA

Todos comentavam! De onde surgira aquele jovem convencido? Será possível que a empresa não reconheça seus valores internos? De fora? E jovem assim? Para essa posição? QI? Filho de alguém importante na corporação? Que injustiça! Tanta gente que havia ralado anos a fio esperando por essa posição, e do nada, sem nenhum crédito ou merecimento, um bacaninha, engomado, se achando a última bolacha do pacote, provavelmente um “mauricinho filho-de- papai”, assume o cargo de Diretor Operacional! Olha só, chegando no carrão novo, e parando na vaga com seu nome todo sorridente. Prepotente metido a besta!

O FATO

O mesmo personagem visto por ângulos distintos. O dele e dos que terão que trabalhar com ele. Exagero? Um pouquinho talvez, mas a situação que descrevo é mais comum do que se imagina. Pode-se prever que por um bom tempo, a vida desse pessoal, será politicamente difícil e estressante.

A empresa que contratou, sem dúvida analisou as credenciais do candidato detalhadamente e acredita que ele é o homem certo para atingir as metas, construir o clima, crescer! Mas será que compartiu o processo de decisão com os que irão trabalhar com ele, seus superiores, pares e subordinados? Ou foi uma conversa entre o Presidente e o Diretor de RH? Não, nem todos podem saber tudo (formalmente, pois a rádio peão se encarrega de trazer à tona todas as versões existentes da “verdade”)!

Por isso, se você estiver no papel do contratado, saiba que antes de mostrar serviço, você tem que mostrar sensibilidade e decifrar o ambiente corporativo. Tem que saber que para cada sorriso e palavra de boas vindas, pode existir um sentimento de desconfiança, inveja, desprezo, rancor, dor, intolerância. As chances de você, o Presidente e o Diretor de RH serem os únicos felizes com sua contratação são muito altas. A primeira batalha a ser vencida no novo posto é integrar-se a ele e conhecer sua equipe. Contar os feitos de sua vida passada e o que fazia na sua empresa anterior soará como soberba. Os mais corajosos dirão, aqui não é sua outra empresa! Saudades do passado e arrependimento pela decisão, também não ajudarão! Qual a receita? Humildade e disposição para ouvir!! Aos seus superiores, que lhe dirão o que esperam da sua gestão. Aos seus pares, que você deverá, preferencialmente, visitar no escritório deles! Diga que esta muito feliz em trabalhar num grupo de tantos talentos e que espera somar, apesar do seu desconhecimento temporário da empresa e suas práticas. Que conta com seu suporte! E a seus subordinados! Os diretos, de maneira semelhante a que dispensou a seus pares. Os demais de maneira informal. Cuidado para não assustá-los, aparecendo do nada. Lembre-se que muitos acreditam que Hércules não sai do Monte Olimpo! Um bom dia sincero, o interesse autêntico, já é um excelente início. Sua postura deve ser de a mesma com todos. Lembre-se do seu primeiro emprego, o sorriso nos lábios, a vontade de aprender e servir!

Ao aproximar-se da realidade deles, poderá gradualmente, e sem receio de errar no julgamento da situação, mostrar as competências que lhe fizeram merecedor do cargo.


Brasil, país do agora

Muitos da minha idade cansaram-se de ouvir que o Brasil é o pais do futuro. Por definição, nosso hoje é sempre pior do que o amanhã. Acostumamo-nos a esperar! Perceba, no entanto que os jovens já não usam essa frase. Para eles o Brasil é o agora. E nunca o agora foi tão agora como AGORA! Não, não vamos brincar de Poliana, mas o ritmo crescente da economia está mudando a cara do nosso país. Com a inflação sob controle e as taxas de juros caindo, os bancos resolveram arregaçar as mangas para manter seus rendimentos. E o crédito na economia pulou de 240 bilhões de reais em dezembro de 2002 para 600 bilhões em setembro de 2007. Uma quantidade enorme de brasileiros está tendo acesso, pela primeira vez em suas vidas a um padrão diferenciado. E quando falo enorme, é enorme mesmo. Na edição de 31 de outubro a revista Veja publicou que desde 2003, 6 milhões de pessoas migraram das classes mais baixas e atingiram a classe C. Neste mesmo período, as pessoas de baixa renda que possuíam 26 milhões de cartões de crédito, agora possuem 61 milhões. A consultoria McKinsey diz que o mercado de consumo de massa, irá crescer dos 48% de 2004 para 60% em 2008 do total de vendas do comércio brasileiro. Como o crédito público não é mais a principal fonte de renda do país, as linhas de crédito livre avançam num ambiente competitivo puxando as taxas para baixo, incentivando mais o consumo e injetando dinheiro na economia que expande o mercado, gerando empregos e conseqüentemente mais consumidores solventes. Esse ciclo virtuoso começa a ser percebido por empresas estrangeiras, que querem participar desse momento. Seus mercados de origem não oferecem este potencial expansionista e o capital não tem cidadania, tem sede de crescimento. Espera-se para 2008 que o país atinja grau de investimento, o que possibilita que os maiores investidores do planeta, os fundos de pensão americanos e europeus possam entrar no mercado brasileiro. Uma quantidade absurda de caixa será disponibilizada ao país. Bem-vinda seja! Essa expansão é o que precisamos para mobilizar toda a sociedade, de todas as classes para o desenho do Brasil do Agora. Nosso ciclo de mudanças precisa mover-se exponencialmente. A carga tributária precisa ser justa, as leis trabalhistas precisam ser revistas, nossos políticos precisam ser responsabilizados por seus atos e os brasileiros cada vez mais atentos e exigentes, cobrarão mais e melhor. Logo notarão o reflexo na educação, saúde e segurança. Os que me lêem já dispõem de uma posição de vanguarda, são formadores de opinião, possuem os recursos para catalisarem essas mudanças. Recusem-se a sucumbir aos cenários pessimistas, ao contrário, os tomem como motivação para melhorar o país onde eu e você, nossos filhos e nossos netos viveremos felizes e em paz. AGORA!


Reconhecimento

Na semana que passou o São Paulo Futebol Clube sagrou-se Pentacampeão do Campeonato Brasileiro de Futebol! Os que me conhecem sabem que sou Corinthiano ferrenho! Mas depois dos textos anteriores, engulo em seco, e termino esse newsletter falando do mais importante campeonato, do esporte mais popular do Brasil. No futebol, primeiro se torce pelo seu time e depois para que todos os demais entrem pelo cano. Mas o São Paulo dá exemplo de competência. Sua renda já é maior que a da CBF! E sua torcida nos tortura com propriedade. Todos nós, não campeões, deveríamos com humildade reconhecer a superioridade temporária (sim, porque se apreendermos a receita, podemos ampliá-la à magnitude do grandioso Corinthians) e exigir de nossos dirigentes que apreendam como se faz. Parabéns ao tricolor pelo seu título que chegou com 4 rodadas de antecedência! Enquanto vocês celebram, ainda desfrutamos da emoção do campeonato. Ser pentacampeão é bom, mas ser Corinthiano é muito melhor!

Um forte abraço,

Ivan Witt

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Ivan Carlos Witt é Sócio-Diretor da Steer Recursos Humanos. Ocupou o cargo de Diretor de Compras da América do Sul da Ford Motor Company, empresa onde trabalhou por 20 anos. Com larga experiência internacional, atuou 10 anos no exterior (México, Estados Unidos, Espanha, Inglaterra e Alemanha) à frente de cargos de liderança nas áreas de Recursos Humanos, Manufatura, Logística e Compras. Engenheiro eletricista, trabalha no aperfeiçoamento de modelos de negociação entre empresas, e na transparência da comunicação entre funcionários, clientes e fornecedores. Headhunter, conduz seminários de Liderança Corporativa e tem um programa de aconselhamento para líderes, Horizontes. iwitt@steer.com.br


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